A origem da tradiçom pagá dos Magustos e do Halloween

Na tradiçom galega com toda segurança o Magusto provém do Samhain celta

José Manuel Barbosa.- Fonte: Portal Galego da Língua – Para os celtas, o primeiro de Novembro marcava a data do fim do ano, a passagem do verao ao inverno, da época na que a vida se realizava no exterior à época na que a vida se fazia no interior da morada ao pe do lume da lareira.

samain galicia galiza

Esse dia era chamado polos gauleses Samónios e polos irlandeses Samhain ou Samhain e era umha festa à qual acodiam todas as pessoas dos povoados celebrando-se umha série de rituais relacionados com a justiça, o direito e a política à vez que dum ponto de vista religioso acreditava-se que a porta do Sidh, do além, do lugar onde moravam os mortos, era aberta para que aquelas pessoas que tinham deixado este mundo pudessem comunicar mais outra vez com aquelas outras que ainda nom o tinham deixado.

Esta última característica do Samhain implicava umha série de rituais e crenças relativas aos mortos que perdurárom em muitos povos da Europa os quais de algumha forma herdárom qualquer cousa, por mui pouco que esta fosse, de aquel espíritu celta que chegou a cubrir o nosso continente.

A chegada do cristianismo provocou umha grande adaptaçom das velhas crenças à nova situaçom e à nova filosofia que tivo que botar mao do sincretismo fazendo das ilhas Britânicas, partes da Gália e da velha Gallaecia focos de resistência espiritual, surgindo um cristianismo autóctone e singular que foi denomiado polos historiadores “cristianismo celta” gerador de figuras como Sam Patrício, Sam Columbano, Prisciliano, Columba, Egéria …

O Cristianismo viu-se na obriga de adaptar as crenças celtas entre as que se encontrava a festa do Samhain, que derivou na festa que nós conhecemos com o nome de Todos os Santos, onde o culto à morte muda de forma mas nom de fundo.

Assim o druída ou druidesa passa-se a ser considerado um bruxo ou bruxa do novo ponto de vista, servidor das forças do mal, vilipendiado polo novo poder enquanto os novos sacerdotes dirigem as crenças populares em outras direcçons embora a antiga filosofia perdurasse nos cultos esotéricos, perseguidos posteriormente pola inquisiçom mas nunca totalmente eliminados podendo ter sobrevivido até o dia de hoje.

Originariamente o ritual celta do Samhain implicava a exposiçom de cabezas cortadas dos inimigos com a finalidade de afogentar os espíritos malvados. Esta prática perdurou durante toda a Idade Média vendo-se substituida a tétrica cabeza cortada do inimigo por cabezas de animais num princípio e posteriormente outras simbólicas feitas de pedra que acabaram sendo a origen, séculos mais tarde das gárgolas que aparecem em monumentos religiosos com funçons protectoras para além das cucurbitáceas ou cabaços da festividade britânica do Halloween mas também presentes na tradiçom galega actual, sobre tudo em certos lugares da Costa da Morte, Rias Baixas e Regiom Británica ou das Marinhas.

A chegada dos povos germânicos ao occidente europeu com a queda do Império Romano provocou a passagem das velhas crenças ao novo tempo histórico da Idade Média e tanto os anglo-saxónicos, como os francos ou os suevos fôrom os protagonistas nos três territorios da adequaçom à aquela nova era tam diferente da anterior, das tradiçons célticas necessitadas agora dumha nova adaptaçom ao recém incorporado domínio filosófico cristao sobre qualquer outra manifestaçom política ou religiosa existente na altura.

Os primeiros, os anglo-saxónicos, encontrárom umha sociedade puramente celta e mesmo sem romanizar onde as tradiçons dos celtas britânicos se tinham manifestado como impossíveis de eliminar. Tal é assim que ainda hoje é ali onde os últimos povos de língua celta pervivem com certa vitalidade.

Os segundo, os francos chegárom a umha Gália muito romanizada do rio Loira para Sul, mas também fácil de germanizar do Loira para Norte deixando os últimos elementos célticos no centro do país e na península Armoricana que recebe aliás umha forte migraçom de elementos britânicos que fogem dos anglos, jutos e saxons da vizinha Britânia. Aliás, na nossa Gallaecia, pouco romanizada nos seus costumes e no seu espírito, absorve e adapta o elemento suevo à vez que também experimenta a chegada dos povos británicos provenientes das Ilhas, sobre tudo na costa cantábrica guiados polo seu bispo Maeloc.

Os Suevos acabariam aceitando o catolicismo e figuras quase de lenda como o rei Carriarico seriam protagonistas de actos de sincretizaçom do antes chamado Samhain para a nova festividade de Todos os Santos numha transiçom que seria vista polo povo como umha continuaçom por adaptaçom aos novos tempos dos seus rituais pagaos originados na sua idiosincrasia particular.

Halooween, Samain, Galiza, Norte de Portugal

A chegada dos mussulmanos à península em nada vai modificar as crenças dos galegos que eram cada vez mais cristás nas suas manifestaçons, quiçá por oposiçom ao islamismo do Sul penínsular, enriquecendo-se tanto no cultural, no económico como no demográfico das achegas provenientes polo Caminho de Santiago, autêntica porta aberta à reafirmaçom europeista da Gallaecia da época ao existir comunicaçom directa por terra, mas também por mar com os territorios trans-pirenaicos da Gália, agora França, com a que nos uniam fortes vínculos étnicos e nesta altura políticos.

Mas é no ano de 1582, passada já a Idade Média, quando se produz a mudança no que diz respeito da festividade do 1º de Novembro, sendo nesse ano quando se leva a cabo a reforma do calendario juliano em vigor para outro mais adaptado à época.

O Papa Gregório XIII decidiu entre outras cousas que o dia seguinte ao 4 de Outubro de 1582 fosse dia 15 eliminando polo meio dez dias. Os países católicos em plena contra-reforma aceitam imediatamente a mudança enquanto os outros, entre eles a Gram-Bretanha fazem-na efectiva no 1752. Isto traz conseqüências para a evoluçom da festa do 1º de Novembro já que esse 1º de Novembro passou-se a ser o 11 do novo calendario gregoriano, dia que continuou sendo o da celebraçom da festividade tradicional da qual estamos falando e que na Galiza se vinha denominando Magusto com umhas características próprias devido também à própria evoluçom da festa nos territorios da velha Gallaecia dos quais tanto Portugal como a Astúria som também herdeiros e nos que o Magusto ou Maguestu também está presente. Por tanto o dia 1º de Novembro do novo calendario gregoriano corresponderia ao velho 25 de Outubro do velho calendario juliano mas era o dia no que a igreja católica celebrava o dia de Todos os Santos.

Na Inglaterra, umha vez imposto o calendario gregoriano no século XVIII celebrariam a festa do “All own een” a véspera desse novo 1 de Novembro no que ainda perdurava o costume das cabeças cortadas da tradiçom Samhainica na que agora mais civilizada e cristianizada incluía cabaços -e nom cabeças- vazios no seu conteúdo e arremedando um crânio com olhos, nariz e boca incluídos. Na Galiza em troca, a festa perduraria no 11 de Novembro gregoriano, velho dia 1º do calendário juliano e conservando umha também velha parafernália pagá incluída Santa Companha -procissom dos mortos que lembra a apertura do Sidh-, comida com castanhas implicando a salvaçom dumha ânima por cada castanha ingerida, e cabaços simulando crânios com os quais os rapazes metiam medo aos adultos colocando-as nos campossantos com umha velinha acessa para causar impressom aos caminhantes. Enquanto esta velha tradiçom conservava a sua data originária do dia 11, a festividade de Todos os Santos cristá cindiria-se da festa pagá para ser celebrada o dia 1º .Como objectivo das ânsias “universalizadoras” do cristianismo católico o dia do Magusto pagao foi dedicado ao Bispo bracarense Sam Martinho de Dúmio primitivo patrom da Galiza e velho adail cristao contra o paganismo.

Mas ainda há mais outro elemento: A noite dos rituais de mágia druídicos, agora convertido em noite das bruxas era tradicionalmente a véspera do Samhain/Magusto, dia do fim do ano céltico que agora, esquecidas as tradiçons proto-históricas seguirá a ser também o dia de fim de ano, mas desta vez segundo criterios modernos já que o novo fim de ano nom vai ser nem o velho 31 de Outubro nem o novo 10 de Novembro, mas o 31 de Dezembro dia de Sam Silvestre, um dos primeiros papas da época do Imperador Constantino e também velho defensor do cristianismo face o paganismo. Foi ele que proibiu os rituais de mágia herdados da tradiçom pré-cristá.

Ao nome de Magusto têem-se-lhe dado várias orígenes etimológicas dentre elas a de “MAGNUS USTUS” que vem significar al assim como “grande fogueira” donde MAGNUS é grande e USTUS, queimado, ardido, o participio passado do verbo “Uro”, arder, queimar. Pode ter umha certa lógica mas nós quigêramos propor outra desde aquí que tem a ver com as palavras “MAGUS” feiticeiro, bruxo, mago e “USTUS”. A maioria das palavras em galego-português provêem do acusativo latino que neste caso seria “MAGUM USTUM” donde seria mais fácil explicar a deriva para “Magusto”, e mesmo em dativo “MAGO USTO” literalmente “…ao ou para o mago queimado” querendo falar quiçá dumha fogueira para queimar magos segundo criterios anti-pagaos medievais? Quiçá se refira à fogueira onde os magos faziam as suas queimadas entendidas como rituais com fogo? Pode derivar daí a queimada galega com o seu ritual hoje vulgarizado e desprovido de qualquer conotaçom esotérica?

A tradiçom do “Halloween” é conhecida últimamente pola extensom dos costumes norteamericanos favorecidos pola hegemonia cultural e económica dos Estados Unidos onde se extende esse tradiçom europeia transladada polos emigrantes ao novo continente e exportada desde ali ao resto do mundo. Aquí na Galiza está tendo umha certa popularidade nos últimos anos em certos centros de ensino primário e secundário quiçá por mimetismo com os costumes anglo-saxónicos popularizados pola TV ou também por um conceito do celtismo mal entendido. Se bem é em origem britânica e celta esta festa, também é certo que nom todos os países celtas repetem as suas tradiçons da mesma forma.

Na tradiçom galega com toda segurança o Magusto provém do Samhain celta empobrecido últimamente polo pouco conhecimento dos guias culturais e pedagógicos do Nosso País e reduzido a umha simples tradiçom gastronímica com castanhas, vinho e chouriço como protagonistas, mas também a tradiçom dos cabaços é própria e autóctone tendo-se manifestado nas datas das que levamos falado durante todo este trabalho em lugares da Galiza preferentemente marinheiros onde o temos registado como por exemplo Cangas, Mugia ou Cedeira.

Quero reivindicar, portanto, desde aqui a festa do Magusto galega com o seu nome tradicional e histórico: Magusto, nom Samhain, como certos pseudo-etnógrafos tentam popularizar. Nom somos mais celtas por chamarmos-lhe Samhain em vez do nome galego tradicional “Magusto”. Quero reivindicar a festa dos cabaços como também galega, mas nom anglo-saxónica nem com nome inglês “Halloween”, desejo pureza nas nossas tradiçons, nom contaminaçom norteamericana; quero aliás um Magusto como tradiçom a recuperar para todo o nosso país, reinvindicar tudo isto para o dia 11 de Novembro, data histórica, herdeira do primeiro de ano céltico e quero reivindicar um Magusto de origem celta, mas nom celta de qualquer lugar, nom, celta, mas galego, ou melhor galaico, já que existe também em Portugal e na Astúria, polo qual com características próprias embora com parentescos nas ilhas britânicas e na velha Gália.

Nota: Artigo da autoria de José Manuel Barbosa e publicado no jornal “La Región” em 11 de Novembro de 1997, e nesta altura reformado e ampliado para a sua publicaçom no PGL.

Samhain na Galiza e no Norte de Portugal
Fonte: Fotos de Gallaecia Growia [South Galiza | North Portugal]

De ano para ano crescem as alusões ao Halloween por todo o lado, multiplicando-se as festas em restaurantes, bares e discotecas ou em casas de amigos. Não há hoje escola ou infantário em que as meninas não vão disfarçadas de bruxa e andem todos entusiasmados com as cabaças, as caretas e as bruxarias.

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Mas que festa é esta que parece ter entrado assim de repente no nosso calendário de celebrações religiosas ou pagãs? O Halloween chega a nós via América, através de influências do cinema, de costumes que vão sendo exportados através de livros, arte ou outras manifestações artísticas. Mas antes de ser americano o Halloween era céltico e dé pelo nome de Sahmain na Irlanda, Sahmainn ou Sahmuinn na Escócia, Sauin na Ilha de Manx. Uma cerlebração gaélica que tinha paralelo nas celebrações bretãs do Calan Gaeaf em Gales, Kalan Gwav na Cornualha e Kalan Goañv na Bretanha. Era uma celebração que marcava o fim das colheitas e se recolhia o gado das pastagens de verão nos abrigos, escolhendo-se quais seriam abatidos para consumo. Era o fim do ano e o início do Inverno, onde as portas do Sidh, do além, se abriam e permitiam um contacto com os defuntos.

Por esses motivos é uma festividade associada à celebração dos mortos e sempre associada ao Dia de Todos-Os-Santos (curiosamente toda a gente se refere a ela como os finados, os defuntos e não como os santos). A Igreja tentou mudar a sua data várias vezes, mas por as populções continuarem a celebrar esta data duma forma natural, adaptou-se ela à data, numa tentativa de cristianização.

Os costumes antigos, para afugentar inimigos e maus espíritos, faziam as pessoas colocar caveiras de antigos inimigos nos muros dos campos à entrada das aldeias, nos cruzamentos e nas estradas. Ao longo do tempo as caveiras foram sendo substituídas por nabos, que eram talhados em forma de caretas assustadoras onde era colocada uma vela dentro. Com o fluxo de emigrantes entre o Novo Mundo e a Europa, a chegada das cabaças de abóbora, mais fáceis de talhar, foi ganhando lugar, substituindo os nabos e outras cabaças mais duras.

E qual a relação com a nossa realidade folclórica? Nas Rias Baixas temos a Noite dos Calacús, onde cabaças são talhadas em forma de caretas assustadoras, desde tempos muito antigos em que ainda não se ouvira falar de Halloween ou Sahmain. Em Cedeira existiu sempre uma tradição muito grande deste costume, na chamada Noite das Calaveiras. Em Ourense havia os Colondros e em Ortigueira os Calabaçotes. E no Norte Portugal, no nosso sul da velha Gallaecia, havia o costume de fazer caretas com as abóboras em aldeias de Vila Real, nos anos 40 e 50, com as pessoas a juntar-se no largo da aldeia ao redor duma grande fogueira onde se bebia o vinho novo, se comiam castanhas e carne de porco. Na Serra do Pilar, em Gaia, há relatos também desse costume com a fogueira incluída e, recentemente, recolhemos um testemunho dum senhor de Ílhavo que nos garante que nos quelhos do centro da vila antiga, nos seus tempos de criança, as pessoas faziam caretas nas cabaças de abóbora.

Nos nossos tempos era a Noite das Bruxas e estava sempre associada ao Magusto, à degustação de castanhas e vinho novo. Com os tempos foi se tornando numa festa gastronómica, perdendo-se os hábitos antigos. Estes hábitos,que eram já nossos, chegam agora do outro lado do Atlântico, para onde já tinham ido através dos nossos irmãos irlandeses e escoceses, completando assim o ciclo das coisas que vão e vêm, parecendo desaparecer mas sempre reaparecendo, como o ciclo do ano e da vida, sempre representado pelos nossos antepassados nas pedras graníticas dos nossos castros.

 

 

Bento Spinoza, o filósofo de origem galego-português

Bento Spinoza, o filósofo de origem galego-português.

Bento Espinosa nasceu em Amesterdão em 1632, numa família de judeus sefarditas emigrantes da península Ibérica, fugindo da perseguição em Portugal. Teve como primeira língua o galego-português e como segunda o castelhano.

Bento Spinoza galego portugues

O trabalho do jesuíta Fidel Fita estima que Miguel de Espinosa, pai do filósofo, nasceu em Ourense, onde os Espinosa vieram ocupando os postos mais importantes desde finais do século XIV, e que, “aumentando as perseguições, começaram alguns judeus a realizar a sua conversão, ainda que não com a sinceridade apetecida”. O mesmo investigador localiza a casa dos Espinosa na rua Nova, perto da Praza Maior.

Textos em Galego-Português de Bento Spinoza conservados na Holanda
Fonte:
Joám Manuel Araújo, PGL. Setembro 2008

O IES Rosalía de Castro de Santiago de Compostela anunciou un prémio literário de ensaio para estudantes de secundária da Galiza, que homenageará Bento Spinoza, filósofo canonizado do século XVII. Nos materiais divulgados com ensejo da convocatória questionava-se como é possível que umha figura da dimensom de Spinoza, que tivo como primeira língua o Galego-Português e como segunda o Castelhano, seja um grande ignorado e ausente, nom só da cultura galega, mas da de toda a Península Ibérica.

Em arquivos conservados na Holanda há textos em Galego-Português deste pensador, coevo de Shakespeare, Bacon, Cervantes, Hobbes, Descartes, Pascal, Kepler, Leibnitz, Newton e outros, e cujas teorias da emoçom e dos sentimentos se relacionam com outras posteriores de Freud ou Lacan; bem como com cientistas mais modernos como Deleuze, Damasio, Changeux ou o próprio Einstein, segundo se frisa com ensejo deste acontecimento.

Parece ser que Spinoza era da Galiza ou do Norte de Portugal. Nos arquivos do Museu Arqueológico Provincial de Ourense conserva-se documentaçom, que data de 1904, sobre as suas origens, que teriam a ver com a importante estirpe do apelido “Espinosa”, bem conhecido e presente. A sua deslocaçom para a Holanda explica-se pola fugida a que se viu obrigada a sua familia, e outras muitas, por causa da perseguiçom da Inquisiçom.

A recuperaçom dos textos em Galego-Português deste filósofo, além de resgatar para a nossa cultura um vulto de interesse, como justifica o liceu compostelano, permitirá também porventura para ajudar a cubrir essa triste e injustificável lacuna dos ainda denominados “séculos escuros” da historiografia literária galega.

Seria bom, pois, disponibilizar essa produção, e a de outros utentes do Galego-Português que também haja na Holanda –algumha referencia se encontra na moderna literatura galega, pouco significativa para o valor desse repertório— que poderá ser com certeza bem útil e de proveito. Compostela, Setembro de 2008.

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Sobre o lugar de origem dos antepassados de Baruch de Espinosa

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Benito Spinoza, el filósofo de origen gallego sefardita

Créase o premio de ensaio ‘Bento Spinoza’ para reclamar a galeguidade do filósofo

Espinosa foi condenado em português

 

Como descolonizar-te mentalmente da Espanha em 4 simples passos. Manual para Galegos/as.

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Este é um breve e simples manual de instruções para aqueles galegos e galegas que querem se descolonizarem mentalmente Espanha, essa realidade que não nos deixa respirar e que nos invade todos os dias a través dos médios de comunicação e por múltiplas vias.

São passos que valem tanto para pessoas reintegracionistas (aqueles que acreditam mais ou menos na unidade linguística galego-portuguesa) mas também isolacionistas (aqueles que acreditam que mesmo sendo línguas diferentes, uma pode ser complementar da outra).

Como fazer então?

Passo Primeiro: Adquire o hábito de ler livros, jornais, revistas e tudo o demais em português quando não tiveres uma versão em galego do que estás a procurar.

Em língua portuguesa editam-se no mundo por volta de 70 mil novos títulos por ano. Qualquer livro que puderes encontrar em castelhano com certeza que vai dispor duma edição em português: best sellers,  ensaios, divulgação, arte, ciência,  banda desenhada… tudo o que puderes imaginar.

É certo que na Galiza não há ainda muita distribuição de livro em português salvo algumas pequenas livrarias como a Ciranda.pt quem inclusive oferece venda online no Imperdivel.net, ou mesmo nas livrarias clássicas como Follas Novas, Couceiro, Torga, etc podeis encontrar também livros em português ainda que em quantidades muito reduzidas e de temáticas geralmente muito especializadas e de público restrito.

Outra opção é aproveitar quando se está de viagem no norte de Portugal para fazer compra de livros na clássica Fnac, na Bertrand ou outras livrarias, (só na cidade do Porto há na actualidade mais de 80) mas isto não sempre é fácil para a gente com o tempo ou o dinheiro mais ajustado.

Como fazer então?

Pois é simples. Encomenda online ou e-book. Para já recomendar-vos o portal Blukk.com que dá acesso a uma série de livrarias online que vendem livro em português. Destacar aí o portal Wook.pt que tem quase tudo e funciona muito bem. Aliás faz envios muito rápidos à Galiza (A Wook está no Porto e os livros demoram menos em chegar que um pedido que possas fazer a uma casa de Madrid ou Barcelona e os portes são similares).

Depois estão os e-books e o mundo PDF. Aí o campo é mais amplo ainda. Desde a clássica Amazon (quer na versão global quer na brasileira) onde podemos encontrar muita cousa em português, até portais como 4shared.com e outros que oferecem também muito conteúdo legal em língua portuguesa, mesmo para descarga gratuita. São só alguns exemplos entre dezenas.

Também nas bibliotecas públicas galegas acostuma haver um fundo (ainda pequeno) de livros em português (nomeadamente romance) que é interessante ver para quem estiver interessado neste tipo de leituras.

Quanto às revistas e jornais, quase todas têm hoje edição digital online, não terás portanto nenhum problema para as poder ler em português.

Passo Segundo: Coloca o teu computador, telemóvel, tablet e demais aparelhos eletrônicos em português.

Isto é algo simples de fazer. Tanto se és da Apple como se és de Android ou da Microsoft vais poder colocar o teu aparelho em língua portuguesa sem nenhum problema. E depois, ao teres os sistema operativo no português quando fores instalar novas aplicações já serão instaladas por defeito em língua portuguesa. Óptimo. Um trabalho a menos.

Igual acontece com os telemóveis mais antigos ou mesmo com outro tipo de electrodomésticos e aparelhos electrónicos que tiveres (uma televisão, uma rádio para o carro, o próprio painel do carro, um forno digital, um data show, etc..),  quase todos tem sempre a possibilidade de mudarem para o português. É só fazer.

Quanto aos computadores PC de escritório e os portáteis vai depender um pouco do tipo de sistema operativo que utilizares. Se tiveres Windows 7, a partir da versão Ultimatepermite descarregar automaticamente um pacote de idioma para actualizar todo o sistema para o português, é simples e gratuito. Igual acontece com o Windows 8. Nas versões mais antigas do Windows terias que tentar encontrar uma versão integra do sistema em língua portuguesa, tenta procurar no Google. Quanto aos programas, navegadores, etc… todos têm sempre uma versão portuguesa, é só instalar.

Para os que sodes da MAC é muito simples também, é só instalar o pacote de idioma do português e pronto. Nos sistemas Linux  (Ubuntu) é ir na administração do sistema e mudar o idioma. Muito simples também.

Depois está a questão do teclado, que fazermos com o teclado em espanhol?

Pois a resposta é simples. Se não queres ir a Portugal cada vez que tens que comprar um computador nem ir lá a comprar um teclado português (sim, podes encomendá-lo online, mas), existe uma solução muito simples, barata e efectiva que dá uns resultados magníficos (levamos anos testando esta opção). É só ir no Ebay.com (ou outros sites similares) e comprar umas etiquetas de vinilo para convertir o teu teclado para língua portuguesa. Fazes o pedido, colocas as etiquetas seguindo as instruções e voilà!! já tens o teclado em português. A sua durabilidade acostuma ser muito boa e se são da mesma cor que o teclado nem se nota que lá estão. Até podes retirar os autocolantes quando quiseres e deixar o teclado no seu estado original.

Passo Terceiro: Tenta ver filmes e conteúdos audiovisuais em português ou legendados em português.

Sempre que fala que os portugueses e portuguesas têm um nível muito alto de inglês, isto é assim, em parte, porque em Portugal (também no Brasil a nível de cinema) os filmes são sempre legendados  e as pessoas desde crianças estão habituadas a ouvir outras línguas.

Porque não fazemos nós o mesmo? O modelo de línguas na Espanha de tentar traduzir tudo para o castelhano (além de muito nacionalista) é também muito anacrónico pois não ajuda nada as pessoas a aprenderem outras línguas e vai contra este modelo europeu das línguas que em toda a Europa se está a desenvolver.

Como fazer então se moras na Galiza?

Pois se o filme está em DVD normalmente tem a opção de ver na versão original com legendas em português. Se não for em DVD, a melhor opção quiçá seja fazer uso dos Youtube e Vimeo e opções várias. Lá encontraras tudo o que quiseres em língua portuguesa: filmes, documentários, entrevistas, etc. Também existem portais na internet como TVTuga.com ou Watchfomny.net  onde podes ver e ouvir ao vivo televisão e rádio portuguesa. Outra opção é comprar uma pequena antena parabólica e sintonizar canais em português que emitem por satélite

Por último não queremos deixar de lembrar-nos neste ponto da Iniciativa Legislativa Popular Paz Andrade, uma magnífica iniciativa que há em marcha neste momento na Galiza (e já aprovada por unanimidade no Parlamento Galego. Algo inédito na política galega) para que num futuro (esperemos que não seja muito longínquo) todos os galegos e galegas possamos ver e ouvir em aberto as TVs e Rádios portuguesas. Seria uma notícia magnífica!

Passo Quarto: Tenta aprofundar no conhecimento da realidade galega e portuguesa.

Na escola ninguém nos ensinou quais eram os rios do Norte de Portugal nem onde ficava o Porto (uma cidade de nada menos de 1,6 milhões de habitantes na sua área metropolitana que está a menos de 1 hora de Vigo que por certo é considerada para o 2014 o melhor destino turístico da Europa). Em troca, si nos explicavam que o Guadalquivir era navegável até Sevilha quando na realidade esse conhecimento não aporta nada na realidade diária dos galegos e galegas. Sim, certo, é bom saber cousas, quantas mais melhor, mas não seria mais interessante conhecer primeiro as cousas da realidade mais próxima e não começar primeiro polo que está a 800 Km?

Isso tem um nome: aculturação; saber mais dos outros que de um mesmo. Como compensar isso? Pois começando já agora, conhecendo melhor a realidade galega e portuguesa.

Aprende português, faz cursos, pega livros, viaja por Portugal, estuda a sua geografia, cultura, etc… Pouco a pouco irás notando os efeitos positivos da descolonização mental. Com certeza que vale a pena. Ampliarás a tua abertura mental a novas realidades. Boa sorte!

PS: Se queredes fazer alguma recomendação que nos permita melhorar este texto, contactai por favor connosco em info@portugaliza.ulaek.com. Agradeceremos imenso as vossas recomendações.

 

 

 

Jornal espanhol ‘La Voz de Galicia’ tenta criminalizar a comunidade linguística galega

Após diversas notícias aparecidas no jornal espanhol ‘La Voz de Galicia’ onde se fala de diversos casos de criminalidade acontecidos na Galiza, este jornal menciona explicitamente a condição de galego utentes de vários dos delinquentes citados pelo jornal. Tento em conta que o galego é a língua própria e oficial na Galiza não teria nenhum sentindo apelar a essa condição como não tem nenhum sentido apelar explicitamente a que um criminal de Madrid fale em castelhano ou um de Lisboa em português.

A Carta Europeia dos Direitos Fundamentais estabelece no seu Artigo 21.1 que «é proibida a discriminação em razão, designadamente, do sexo, raça, cor ou origem étnica ou social, características genéticas, língua, religião ou convicções, opiniões políticas ou outras, pertença a uma minoria nacional, riqueza, nascimento, deficiência, idade ou orientação sexual.»

Neste sentido consideramos muito graves as acusações vertidas pelo jornal ‘La Voz de Galicia’ e provavelmente a fiscalia ou o valedor do Povo da Galicia ou mesmo organizações de defesa dos direitos civis deveriam tomar imediatamente cartas no assunto.

Eis um excerto das notícias publicadas por devantido jornal:

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Nota: Este tema tem sido objeto de tratamento en diversos médios e blogues nos últimos dias. Aqui uma mostra:

Segundo os criterios de La Voz, é recomendable subliñar que os delincuentes falan galego... en ExVoz

«Encapuchados y con acento gallego», no blogue de Carlos Callón.

¿Habla gallego? ¡Llamad a la Policía! en Sermos Galiza

“Acento galego” e resistência cultural

Quarta-feira Logo Vem, documentário da Gentalha do Pichel que reivindica as denominações tradicionais na Galiza dos dias da semana

Quarta-feira Logo Vem, documentário da Gentalha do Pichel que reivindica as denominações tradicionais na Galiza dos dias da semana

As formas tradicionais dos dias da semana, construídas com a palavra feira (segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira e sexta-feira) continuam vivas do norte ao sul da Galiza, ainda que só entre as pessoas mais velhas das nossas comarcas. Isso é o que mostra este filme, editado pola Comissom de Defesa da Língua, sob o título Quarta-feira Logo Vem, em relaçom a umha copla que ainda é reconhecida por muitas pessoas que já deixaram de usar estas fórmulas no dia-a-dia.

O documentário, de algo mais de 10 minutos, reivindica a recuperaçom das denominaçons tradicionais, que alguns meios de comunicaçom já ensaiárom na última década.

Em primeiro lugar recolhe testemunhos do uso vivo da sexta-feira na Límia Baixa. A seguir viaja ao extremo norte da Galiza, onde as pessoas mais velhas ainda tenhem memória do uso da quarta-feira (que chamavam carta-feira). A partir daí as gravaçons som realizadas polos membros da Comissom de Defesa da Língua da Gentalha em muitas aldeias da área de Compostela, concretamente para registrar a 4ª, a 5ª e a 6ª feira.

O objetivo do filme é mostrar como nestas comarcas as pessoas passárom de quinta-feira a jueves. Só nos últimos anos fôrom introduzidas através do ensino e da televisom umhas novas denominaçons, semelhantes às do castelhano e pouco  abonadas no galego tradicional.