Balanza Fiscal e fluxos financeiros reais entre a Galiza e a Espanha

O espólio fiscal e financeiro espanhol da Galiza quantifica-se em 4.435 milhões de Euros anuais (dados de 2007) segundo o economista Xavier Díaz.[2]

Nos últimos meses, a raiz do processo soberanista que está tendo lugar na Catalunha, está de atualidade o debate sobre as Balanças Fiscais das distintas CCAA do Estado espanhol. Nesse sentido, acostuma-se a colocar à Galiza como uma comunidade dependente que financeiramente recebe mais do que aporta à Espanha. Nada mais longe da realidade!

Se analisamos a Balança Fiscal real entre a Galiza e a Espanha do ponto de vista do fluxo monetário (o método mais utilizado nos distintos países que analisam estas questões) e se imputamos a essa Balança Fiscal os gastos reais da SSGG (sem imputar como gasto as pensões que cobram os emigrantes retornados que cotizaram ao longo da vida fóra da Galiza). E se, por outro lado, imputamos como ingressos os impostos que teriam que pagar na Galiza os milheiros de empresas (4.733 em 2010)[1] que desenvolvem atividades económicas aqui (pensemos por exemplo nas companhias eléctricas que exploram nossos rios ou que ocupam os nossos montes com os moinhos eólicos) mas pagam impostos em Madrid ou em outros lugares no Estado espanhol ao terem a sua sede social alí, obteremos um resultado financeiro e uma Balança Fiscal netamente favorável à Galiza. Um dado para não esquecer é que muitas dessas empresas com sede fiscal fóra da Galiza são de tamanho médio ou grande. Portanto, a sua carga impositiva por via do Imposto de Sociedades ou IVA seria também maior se elas estivessem domiciliadas na Galiza, e numa Galiza independente com fazenda própria teriam que estar forçosamente domiciliadas.

Tendo isso em conta podemos ver que a Galiza aporta à Espanha bastante mais do que recebe. Assim, o espólio fiscal e financeiro direto da Galiza por parte da Espanha foi quantificado polo economista Xavier Díaz em 4.435 milhões de Euros com respeito a 2007.[2] É de esperar que as cifras não tenham variado muito nos últimos anos.



[1] Fonte: IGE (Instituto Galego de Estatística)

[2] Este artigo está fundamentado no trabalho: Díaz, X (2009). Os resultados do sistema de financiamento en 2007. Revista Terra e Tempo 149-152. Ano 2009. Disponível aqui em PDF

 

Quarta-feira Logo Vem, documentário da Gentalha do Pichel que reivindica as denominações tradicionais na Galiza dos dias da semana

Quarta-feira Logo Vem, documentário da Gentalha do Pichel que reivindica as denominações tradicionais na Galiza dos dias da semana

As formas tradicionais dos dias da semana, construídas com a palavra feira (segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira e sexta-feira) continuam vivas do norte ao sul da Galiza, ainda que só entre as pessoas mais velhas das nossas comarcas. Isso é o que mostra este filme, editado pola Comissom de Defesa da Língua, sob o título Quarta-feira Logo Vem, em relaçom a umha copla que ainda é reconhecida por muitas pessoas que já deixaram de usar estas fórmulas no dia-a-dia.

O documentário, de algo mais de 10 minutos, reivindica a recuperaçom das denominaçons tradicionais, que alguns meios de comunicaçom já ensaiárom na última década.

Em primeiro lugar recolhe testemunhos do uso vivo da sexta-feira na Límia Baixa. A seguir viaja ao extremo norte da Galiza, onde as pessoas mais velhas ainda tenhem memória do uso da quarta-feira (que chamavam carta-feira). A partir daí as gravaçons som realizadas polos membros da Comissom de Defesa da Língua da Gentalha em muitas aldeias da área de Compostela, concretamente para registrar a 4ª, a 5ª e a 6ª feira.

O objetivo do filme é mostrar como nestas comarcas as pessoas passárom de quinta-feira a jueves. Só nos últimos anos fôrom introduzidas através do ensino e da televisom umhas novas denominaçons, semelhantes às do castelhano e pouco  abonadas no galego tradicional.