Conferência de Oscar Horta “Por que (e como) defender aos animais” o 5 de Fevereiro em Santiago de Compostela

Quarta-Feira (Mércores) 5 de Fevereiro de 2014
19h30 – Biblioteca Anxel Casal – Salón de Actos
Santiago de Compostela 

Entrada livre até completar aforamento.

Oscar Horta é professor de filosofia moral na Universidade de Santiago de Compostela, e tem sido investigador visitante em distintas outras universidades. É activista polos direitos dos animais, tem escrito distintos textos sobre o tema e leva o blog masalladelaespecie.com

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10 de Dezembro: Dia Mundial dos Direitos dos Animais

Dia Internacional dos Direitos Animais (DIDA) ocorre no dia 10 de Dezembro1 desde 1998 e foi criado pela ONG inglesa Uncaged. A data é uma alusão à ratificação, na ONU, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, e visa chamar atenção para a necessidade de inclusão de todos os animais como sujeitos morais, de direito, capazes de sentir e sofrer. Esta posição é defendida com base na teoria dos Direitos Animais.

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Declaração Universal dos Direitos dos Animais foi adoptada pela Liga Internacional dos Direitos do Animal em 1977, que a proclamou no ano seguinte. Posteriormente, foi aprovada pela Organização de Nações Unidas (ONU) e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (UNESCO).

Artigo 1º

Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.

Artigo 2º

1.Todo o animal tem o direito a ser respeitado.

2.O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais

3.Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem.

Artigo 3º

1.Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a atos cruéis.

2.Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia.

Artigo 4º

1.Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir.

2.toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito.

Artigo 5º

1.Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente no meio ambiente do homem tem o direito de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie.

2.Toda a modificação deste ritmo ou destas condições que forem impostas pelo homem com fins mercantis é contrária a este direito.

Artigo 6º

1.Todo o animal que o homem escolheu para seu companheiro tem direito a uma duração de vida conforme a sua longevidade natural.

2.O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.

Artigo 7º

Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.

Artigo 8º

1.A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação.

2.As técnicas de substituição devem de ser utilizadas e desenvolvidas.

Artigo 9º

Quando o animal é criado para alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado, transportado e morto sem que disso resulte para ele nem ansiedade nem dor.

Artigo 10º

1.Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem.

2.As exibições de animais e os espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.

Artigo 11º

Todo o ato que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, isto é um crime contra a vida.

Artigo 12º

1.Todo o ato que implique a morte de grande um número de animais selvagens é um genocídio, isto é, um crime contra a espécie.

2.A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.

Artigo 13º

1.O animal morto deve de ser tratado com respeito.

2.As cenas de violência de que os animais são vítimas devem de ser interditas no cinema e na televisão, salvo se elas tiverem por fim demonstrar um atentado aos direitos do animal.

Artigo 14º

1.Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível governamental.

2.Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.

Bons resultados para Portugal e Galiza no relatório PISA OCDE 2012 de rendimento escolar

De três em três anos a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) repete o exercício. E avalia o estado da literacia dos alunos de 15 anos, em três áreas-chave: matemática, leitura e competéncia científica. Os últimos resultados trazem boas notícias para Portugal e a Galiza que alcançam boas posições no ranking de países que se submetem cada três anos (o último foi em 2009) a este teste.

No gráfico a seguir podem a pontuação de âmbos países nas três competências básicas indicadas em comparação com outros países que participaram também no relatório PISA 2012:

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Mais informação:

» Relatório PISA 2012 completo [.PDF]

» Relatório PISA 2012 relativo ao Estado espanhol [.PDF]

» Alunos portugueses mostram como em pouco tempo é possível melhorar, diz OCDE

A origem da tradiçom pagá dos Magustos e do Halloween

Na tradiçom galega com toda segurança o Magusto provém do Samhain celta

José Manuel Barbosa.- Fonte: Portal Galego da Língua – Para os celtas, o primeiro de Novembro marcava a data do fim do ano, a passagem do verao ao inverno, da época na que a vida se realizava no exterior à época na que a vida se fazia no interior da morada ao pe do lume da lareira.

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Esse dia era chamado polos gauleses Samónios e polos irlandeses Samhain ou Samhain e era umha festa à qual acodiam todas as pessoas dos povoados celebrando-se umha série de rituais relacionados com a justiça, o direito e a política à vez que dum ponto de vista religioso acreditava-se que a porta do Sidh, do além, do lugar onde moravam os mortos, era aberta para que aquelas pessoas que tinham deixado este mundo pudessem comunicar mais outra vez com aquelas outras que ainda nom o tinham deixado.

Esta última característica do Samhain implicava umha série de rituais e crenças relativas aos mortos que perdurárom em muitos povos da Europa os quais de algumha forma herdárom qualquer cousa, por mui pouco que esta fosse, de aquel espíritu celta que chegou a cubrir o nosso continente.

A chegada do cristianismo provocou umha grande adaptaçom das velhas crenças à nova situaçom e à nova filosofia que tivo que botar mao do sincretismo fazendo das ilhas Britânicas, partes da Gália e da velha Gallaecia focos de resistência espiritual, surgindo um cristianismo autóctone e singular que foi denomiado polos historiadores “cristianismo celta” gerador de figuras como Sam Patrício, Sam Columbano, Prisciliano, Columba, Egéria …

O Cristianismo viu-se na obriga de adaptar as crenças celtas entre as que se encontrava a festa do Samhain, que derivou na festa que nós conhecemos com o nome de Todos os Santos, onde o culto à morte muda de forma mas nom de fundo.

Assim o druída ou druidesa passa-se a ser considerado um bruxo ou bruxa do novo ponto de vista, servidor das forças do mal, vilipendiado polo novo poder enquanto os novos sacerdotes dirigem as crenças populares em outras direcçons embora a antiga filosofia perdurasse nos cultos esotéricos, perseguidos posteriormente pola inquisiçom mas nunca totalmente eliminados podendo ter sobrevivido até o dia de hoje.

Originariamente o ritual celta do Samhain implicava a exposiçom de cabezas cortadas dos inimigos com a finalidade de afogentar os espíritos malvados. Esta prática perdurou durante toda a Idade Média vendo-se substituida a tétrica cabeza cortada do inimigo por cabezas de animais num princípio e posteriormente outras simbólicas feitas de pedra que acabaram sendo a origen, séculos mais tarde das gárgolas que aparecem em monumentos religiosos com funçons protectoras para além das cucurbitáceas ou cabaços da festividade britânica do Halloween mas também presentes na tradiçom galega actual, sobre tudo em certos lugares da Costa da Morte, Rias Baixas e Regiom Británica ou das Marinhas.

A chegada dos povos germânicos ao occidente europeu com a queda do Império Romano provocou a passagem das velhas crenças ao novo tempo histórico da Idade Média e tanto os anglo-saxónicos, como os francos ou os suevos fôrom os protagonistas nos três territorios da adequaçom à aquela nova era tam diferente da anterior, das tradiçons célticas necessitadas agora dumha nova adaptaçom ao recém incorporado domínio filosófico cristao sobre qualquer outra manifestaçom política ou religiosa existente na altura.

Os primeiros, os anglo-saxónicos, encontrárom umha sociedade puramente celta e mesmo sem romanizar onde as tradiçons dos celtas britânicos se tinham manifestado como impossíveis de eliminar. Tal é assim que ainda hoje é ali onde os últimos povos de língua celta pervivem com certa vitalidade.

Os segundo, os francos chegárom a umha Gália muito romanizada do rio Loira para Sul, mas também fácil de germanizar do Loira para Norte deixando os últimos elementos célticos no centro do país e na península Armoricana que recebe aliás umha forte migraçom de elementos britânicos que fogem dos anglos, jutos e saxons da vizinha Britânia. Aliás, na nossa Gallaecia, pouco romanizada nos seus costumes e no seu espírito, absorve e adapta o elemento suevo à vez que também experimenta a chegada dos povos británicos provenientes das Ilhas, sobre tudo na costa cantábrica guiados polo seu bispo Maeloc.

Os Suevos acabariam aceitando o catolicismo e figuras quase de lenda como o rei Carriarico seriam protagonistas de actos de sincretizaçom do antes chamado Samhain para a nova festividade de Todos os Santos numha transiçom que seria vista polo povo como umha continuaçom por adaptaçom aos novos tempos dos seus rituais pagaos originados na sua idiosincrasia particular.

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A chegada dos mussulmanos à península em nada vai modificar as crenças dos galegos que eram cada vez mais cristás nas suas manifestaçons, quiçá por oposiçom ao islamismo do Sul penínsular, enriquecendo-se tanto no cultural, no económico como no demográfico das achegas provenientes polo Caminho de Santiago, autêntica porta aberta à reafirmaçom europeista da Gallaecia da época ao existir comunicaçom directa por terra, mas também por mar com os territorios trans-pirenaicos da Gália, agora França, com a que nos uniam fortes vínculos étnicos e nesta altura políticos.

Mas é no ano de 1582, passada já a Idade Média, quando se produz a mudança no que diz respeito da festividade do 1º de Novembro, sendo nesse ano quando se leva a cabo a reforma do calendario juliano em vigor para outro mais adaptado à época.

O Papa Gregório XIII decidiu entre outras cousas que o dia seguinte ao 4 de Outubro de 1582 fosse dia 15 eliminando polo meio dez dias. Os países católicos em plena contra-reforma aceitam imediatamente a mudança enquanto os outros, entre eles a Gram-Bretanha fazem-na efectiva no 1752. Isto traz conseqüências para a evoluçom da festa do 1º de Novembro já que esse 1º de Novembro passou-se a ser o 11 do novo calendario gregoriano, dia que continuou sendo o da celebraçom da festividade tradicional da qual estamos falando e que na Galiza se vinha denominando Magusto com umhas características próprias devido também à própria evoluçom da festa nos territorios da velha Gallaecia dos quais tanto Portugal como a Astúria som também herdeiros e nos que o Magusto ou Maguestu também está presente. Por tanto o dia 1º de Novembro do novo calendario gregoriano corresponderia ao velho 25 de Outubro do velho calendario juliano mas era o dia no que a igreja católica celebrava o dia de Todos os Santos.

Na Inglaterra, umha vez imposto o calendario gregoriano no século XVIII celebrariam a festa do “All own een” a véspera desse novo 1 de Novembro no que ainda perdurava o costume das cabeças cortadas da tradiçom Samhainica na que agora mais civilizada e cristianizada incluía cabaços -e nom cabeças- vazios no seu conteúdo e arremedando um crânio com olhos, nariz e boca incluídos. Na Galiza em troca, a festa perduraria no 11 de Novembro gregoriano, velho dia 1º do calendário juliano e conservando umha também velha parafernália pagá incluída Santa Companha -procissom dos mortos que lembra a apertura do Sidh-, comida com castanhas implicando a salvaçom dumha ânima por cada castanha ingerida, e cabaços simulando crânios com os quais os rapazes metiam medo aos adultos colocando-as nos campossantos com umha velinha acessa para causar impressom aos caminhantes. Enquanto esta velha tradiçom conservava a sua data originária do dia 11, a festividade de Todos os Santos cristá cindiria-se da festa pagá para ser celebrada o dia 1º .Como objectivo das ânsias “universalizadoras” do cristianismo católico o dia do Magusto pagao foi dedicado ao Bispo bracarense Sam Martinho de Dúmio primitivo patrom da Galiza e velho adail cristao contra o paganismo.

Mas ainda há mais outro elemento: A noite dos rituais de mágia druídicos, agora convertido em noite das bruxas era tradicionalmente a véspera do Samhain/Magusto, dia do fim do ano céltico que agora, esquecidas as tradiçons proto-históricas seguirá a ser também o dia de fim de ano, mas desta vez segundo criterios modernos já que o novo fim de ano nom vai ser nem o velho 31 de Outubro nem o novo 10 de Novembro, mas o 31 de Dezembro dia de Sam Silvestre, um dos primeiros papas da época do Imperador Constantino e também velho defensor do cristianismo face o paganismo. Foi ele que proibiu os rituais de mágia herdados da tradiçom pré-cristá.

Ao nome de Magusto têem-se-lhe dado várias orígenes etimológicas dentre elas a de “MAGNUS USTUS” que vem significar al assim como “grande fogueira” donde MAGNUS é grande e USTUS, queimado, ardido, o participio passado do verbo “Uro”, arder, queimar. Pode ter umha certa lógica mas nós quigêramos propor outra desde aquí que tem a ver com as palavras “MAGUS” feiticeiro, bruxo, mago e “USTUS”. A maioria das palavras em galego-português provêem do acusativo latino que neste caso seria “MAGUM USTUM” donde seria mais fácil explicar a deriva para “Magusto”, e mesmo em dativo “MAGO USTO” literalmente “…ao ou para o mago queimado” querendo falar quiçá dumha fogueira para queimar magos segundo criterios anti-pagaos medievais? Quiçá se refira à fogueira onde os magos faziam as suas queimadas entendidas como rituais com fogo? Pode derivar daí a queimada galega com o seu ritual hoje vulgarizado e desprovido de qualquer conotaçom esotérica?

A tradiçom do “Halloween” é conhecida últimamente pola extensom dos costumes norteamericanos favorecidos pola hegemonia cultural e económica dos Estados Unidos onde se extende esse tradiçom europeia transladada polos emigrantes ao novo continente e exportada desde ali ao resto do mundo. Aquí na Galiza está tendo umha certa popularidade nos últimos anos em certos centros de ensino primário e secundário quiçá por mimetismo com os costumes anglo-saxónicos popularizados pola TV ou também por um conceito do celtismo mal entendido. Se bem é em origem britânica e celta esta festa, também é certo que nom todos os países celtas repetem as suas tradiçons da mesma forma.

Na tradiçom galega com toda segurança o Magusto provém do Samhain celta empobrecido últimamente polo pouco conhecimento dos guias culturais e pedagógicos do Nosso País e reduzido a umha simples tradiçom gastronímica com castanhas, vinho e chouriço como protagonistas, mas também a tradiçom dos cabaços é própria e autóctone tendo-se manifestado nas datas das que levamos falado durante todo este trabalho em lugares da Galiza preferentemente marinheiros onde o temos registado como por exemplo Cangas, Mugia ou Cedeira.

Quero reivindicar, portanto, desde aqui a festa do Magusto galega com o seu nome tradicional e histórico: Magusto, nom Samhain, como certos pseudo-etnógrafos tentam popularizar. Nom somos mais celtas por chamarmos-lhe Samhain em vez do nome galego tradicional “Magusto”. Quero reivindicar a festa dos cabaços como também galega, mas nom anglo-saxónica nem com nome inglês “Halloween”, desejo pureza nas nossas tradiçons, nom contaminaçom norteamericana; quero aliás um Magusto como tradiçom a recuperar para todo o nosso país, reinvindicar tudo isto para o dia 11 de Novembro, data histórica, herdeira do primeiro de ano céltico e quero reivindicar um Magusto de origem celta, mas nom celta de qualquer lugar, nom, celta, mas galego, ou melhor galaico, já que existe também em Portugal e na Astúria, polo qual com características próprias embora com parentescos nas ilhas britânicas e na velha Gália.

Nota: Artigo da autoria de José Manuel Barbosa e publicado no jornal “La Región” em 11 de Novembro de 1997, e nesta altura reformado e ampliado para a sua publicaçom no PGL.

Samhain na Galiza e no Norte de Portugal
Fonte: Fotos de Gallaecia Growia [South Galiza | North Portugal]

De ano para ano crescem as alusões ao Halloween por todo o lado, multiplicando-se as festas em restaurantes, bares e discotecas ou em casas de amigos. Não há hoje escola ou infantário em que as meninas não vão disfarçadas de bruxa e andem todos entusiasmados com as cabaças, as caretas e as bruxarias.

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Mas que festa é esta que parece ter entrado assim de repente no nosso calendário de celebrações religiosas ou pagãs? O Halloween chega a nós via América, através de influências do cinema, de costumes que vão sendo exportados através de livros, arte ou outras manifestações artísticas. Mas antes de ser americano o Halloween era céltico e dé pelo nome de Sahmain na Irlanda, Sahmainn ou Sahmuinn na Escócia, Sauin na Ilha de Manx. Uma cerlebração gaélica que tinha paralelo nas celebrações bretãs do Calan Gaeaf em Gales, Kalan Gwav na Cornualha e Kalan Goañv na Bretanha. Era uma celebração que marcava o fim das colheitas e se recolhia o gado das pastagens de verão nos abrigos, escolhendo-se quais seriam abatidos para consumo. Era o fim do ano e o início do Inverno, onde as portas do Sidh, do além, se abriam e permitiam um contacto com os defuntos.

Por esses motivos é uma festividade associada à celebração dos mortos e sempre associada ao Dia de Todos-Os-Santos (curiosamente toda a gente se refere a ela como os finados, os defuntos e não como os santos). A Igreja tentou mudar a sua data várias vezes, mas por as populções continuarem a celebrar esta data duma forma natural, adaptou-se ela à data, numa tentativa de cristianização.

Os costumes antigos, para afugentar inimigos e maus espíritos, faziam as pessoas colocar caveiras de antigos inimigos nos muros dos campos à entrada das aldeias, nos cruzamentos e nas estradas. Ao longo do tempo as caveiras foram sendo substituídas por nabos, que eram talhados em forma de caretas assustadoras onde era colocada uma vela dentro. Com o fluxo de emigrantes entre o Novo Mundo e a Europa, a chegada das cabaças de abóbora, mais fáceis de talhar, foi ganhando lugar, substituindo os nabos e outras cabaças mais duras.

E qual a relação com a nossa realidade folclórica? Nas Rias Baixas temos a Noite dos Calacús, onde cabaças são talhadas em forma de caretas assustadoras, desde tempos muito antigos em que ainda não se ouvira falar de Halloween ou Sahmain. Em Cedeira existiu sempre uma tradição muito grande deste costume, na chamada Noite das Calaveiras. Em Ourense havia os Colondros e em Ortigueira os Calabaçotes. E no Norte Portugal, no nosso sul da velha Gallaecia, havia o costume de fazer caretas com as abóboras em aldeias de Vila Real, nos anos 40 e 50, com as pessoas a juntar-se no largo da aldeia ao redor duma grande fogueira onde se bebia o vinho novo, se comiam castanhas e carne de porco. Na Serra do Pilar, em Gaia, há relatos também desse costume com a fogueira incluída e, recentemente, recolhemos um testemunho dum senhor de Ílhavo que nos garante que nos quelhos do centro da vila antiga, nos seus tempos de criança, as pessoas faziam caretas nas cabaças de abóbora.

Nos nossos tempos era a Noite das Bruxas e estava sempre associada ao Magusto, à degustação de castanhas e vinho novo. Com os tempos foi se tornando numa festa gastronómica, perdendo-se os hábitos antigos. Estes hábitos,que eram já nossos, chegam agora do outro lado do Atlântico, para onde já tinham ido através dos nossos irmãos irlandeses e escoceses, completando assim o ciclo das coisas que vão e vêm, parecendo desaparecer mas sempre reaparecendo, como o ciclo do ano e da vida, sempre representado pelos nossos antepassados nas pedras graníticas dos nossos castros.

 

 

Bento Spinoza, o filósofo de origem galego-português

Bento Spinoza, o filósofo de origem galego-português.

Bento Espinosa nasceu em Amesterdão em 1632, numa família de judeus sefarditas emigrantes da península Ibérica, fugindo da perseguição em Portugal. Teve como primeira língua o galego-português e como segunda o castelhano.

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O trabalho do jesuíta Fidel Fita estima que Miguel de Espinosa, pai do filósofo, nasceu em Ourense, onde os Espinosa vieram ocupando os postos mais importantes desde finais do século XIV, e que, “aumentando as perseguições, começaram alguns judeus a realizar a sua conversão, ainda que não com a sinceridade apetecida”. O mesmo investigador localiza a casa dos Espinosa na rua Nova, perto da Praza Maior.

Textos em Galego-Português de Bento Spinoza conservados na Holanda
Fonte:
Joám Manuel Araújo, PGL. Setembro 2008

O IES Rosalía de Castro de Santiago de Compostela anunciou un prémio literário de ensaio para estudantes de secundária da Galiza, que homenageará Bento Spinoza, filósofo canonizado do século XVII. Nos materiais divulgados com ensejo da convocatória questionava-se como é possível que umha figura da dimensom de Spinoza, que tivo como primeira língua o Galego-Português e como segunda o Castelhano, seja um grande ignorado e ausente, nom só da cultura galega, mas da de toda a Península Ibérica.

Em arquivos conservados na Holanda há textos em Galego-Português deste pensador, coevo de Shakespeare, Bacon, Cervantes, Hobbes, Descartes, Pascal, Kepler, Leibnitz, Newton e outros, e cujas teorias da emoçom e dos sentimentos se relacionam com outras posteriores de Freud ou Lacan; bem como com cientistas mais modernos como Deleuze, Damasio, Changeux ou o próprio Einstein, segundo se frisa com ensejo deste acontecimento.

Parece ser que Spinoza era da Galiza ou do Norte de Portugal. Nos arquivos do Museu Arqueológico Provincial de Ourense conserva-se documentaçom, que data de 1904, sobre as suas origens, que teriam a ver com a importante estirpe do apelido “Espinosa”, bem conhecido e presente. A sua deslocaçom para a Holanda explica-se pola fugida a que se viu obrigada a sua familia, e outras muitas, por causa da perseguiçom da Inquisiçom.

A recuperaçom dos textos em Galego-Português deste filósofo, além de resgatar para a nossa cultura um vulto de interesse, como justifica o liceu compostelano, permitirá também porventura para ajudar a cubrir essa triste e injustificável lacuna dos ainda denominados “séculos escuros” da historiografia literária galega.

Seria bom, pois, disponibilizar essa produção, e a de outros utentes do Galego-Português que também haja na Holanda –algumha referencia se encontra na moderna literatura galega, pouco significativa para o valor desse repertório— que poderá ser com certeza bem útil e de proveito. Compostela, Setembro de 2008.

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Espectacular carreira do Team Lotus no GP de Hungria de F-1 lucindo a Bandeira Nacional Galega

Tremenda carreira da equipa Lotus no GP de Hungria de F-1 celebrado este domingo dia 28 de Julho de 2013. Os seus dois pilotos demonstraram um grande ritmo no asfalto húngaro que, em várias ocasiões, pôs entre as cordas a algum dos seus rivais. Finalmente, Kimi Räikkönen alçou-se com a segunda posição, um novo podio que permite ascender ao finlandês à segunda praça do Mundial de Pilotos. Por sua vez, Romain Grosjean consegue uma merecida sexta praça. Apesar das sanções impostas pela FIA, o francês termina contente e com vontades de seguir melhorando para conseguir em algum dia a vitória.

Grosjean-F1-Formula-GP-Hungarian

Kimi Räikkönen (2º):

“Foi uma boa carreira e um bom resultado para a equipa. A estratégia funcionou bem: fizemos dois stints longos com os pneus, mas não foi nada mau e o carro esteve forte, de modo que isso nos permitiu fazer uma paragem menos. Nas últimas voltas, as rodas traseras estavam ao limite, mas tirando isso todo foi bem. Sebastian acercou-se ao meu em um par de ocasiões, mas por sorte foi em locais onde não se pode adiantar. O mais positivo é que ganhamos uns pontos a Seb no Mundial. Sem dúvida, poderíamos ter reduzido a distância um pouco mñas com uma vitória, mas todo o que consigamos ajuda. Só estamos a metade da temporada e será complicado lhe dar caça, mas tudo pode passar, de modo que seguiremos lutando até o final”.

Galician Flag

Romain Grosjean (6º):

“Sem dúvida, estou muito contente com a minha carreira e, sinceramente, não acho que pudesse ter feito bem mais. Quiçá a estratégia não funcionou como esperávamos, mas o carro se comportou bem e foi o tráfico o que me prejudicou. Sem esse problema, quiçá nunca tivesse um ‘drive-through’, que não ajudou em absoluto. Ainda não vi as imagens e pensei que era uma boa manobra, mas por desgraça os comissários não pensaram o mesmo. Não tive problema com o tempo acrescentado pelo incidente com Jenson e já me desculpei ante ele. Esta pôde ser a minha carreira, mas simplesmente temos de esperar um pouco mais e seguir melhorando como temos estado fazendo”.

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Eric Boullier, chefe da equipa Lotus:

“Outro bom resultado para Kimi. Conduziu muito bem e foi respaldado por uma forte estratégia que lhe fez chegar ao podio. Romain teve muito má sorte, já que não pudemos adiantar a Fernando em boxes, e isso lhe custou tempo, além do ‘drive-through’. Conduziu muito bem em um circuito onde adiantar é complicado e não teve espaço para fazer nada. Para nós, a decisão dos comissários foi dura. O mais importante que nos levamos do fim de semana é o ritmo do carro; este circuito é especial, e acho que terá outros onde teremos que trabalhar mais duro, mas estou seguro de que estaremos a lutar de forma constante pelo podio na cada carreira da segunda metade da temporada. Rede Bull está bastante longe, mas demonstrámos que se lhes pode bater”

Fonte: F1 ao Dia

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